sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Ré Confessa

Ré Confessa

Como me cutucam as palavras! Insanas! Num tamborilo sem trégua, desatinam o peito meu reclamando suas asas, presas nas pontas dos meus dedos! Cochicham meus segredos, detidas entre as grades da incerteza, avançam e recuam receosas... Pois destampam n'um penhasco fendido entre o sonho e a realidade!
Sua verve assanhada me lambe e me arde, não cala e nem consente calar! Flamantes! Conglomeram as minhas vontades e, sem um não convincente, permito me levarem... O teclado, em mudo arrepio, se deixa acariciar refletindo a alma minha no espelho da escrita!
Letra a letra, Verso a verso! Brancos, rimados ou quebrados! Deságuam pedaços do meu cotidiano, desvendam meu imo, inventam o destino que o meu coração almeja, falam o que não devem, sem importar com os desvãos... Beiram a contravenção!
Porquê!? A flechada da Poesia, profunda e permanente, é farpa incendiada e sempre benquerente! De fio a pavio, sem aviso ou hora marcada... Martela na mente, correndo no sangue lateja no peito!
Não tem jeito, é causa vencida!
Minha residente, eterna maresia, perfeita alquimia! Ré confessa entrego-me à algema querida e liberta, do pranto e da festa, da santa
......................................................................... Poesia!

By Iza
22/12/2008